território yogi

Este é um território sem fronteiras. Onde não há muros, barreiras, bordas ou limites. Como aquela foto que não termina na moldura, sabe? Mas que é trazida ali como uma imagem que se inventa a cada olhar. Por isso, não é fixa nem estática, mas é movimento constante assim como o que é vivo. É um lugar subjetivo, feito no intuito de inventar o corpo junto às diversas experiências teóricas e práticas do Yoga.

Conheci o Yoga através da prática de ásanas (posturas). Desde então, percebi uma possibilidade de inventar meu corpo me aprofundando na experiência de ter o Yoga como um dispositivo na construção de mim mesma no mundo. Tem sido interessante perceber meu corpo e o mundo com esta lente. Tem sido um treino constante de observações. De observar-me aqui e agora escrevendo este texto, por exemplo. Percebendo meu corpo se moldar à esta disciplina a todo instante. Com o tempo, fui vendo que o yoga não era somente estar dentro de um espaço zem com músicas calmas, em cima de um tapetinho fazendo posições estranhas e muitas vezes engraçadas.

As práticas psicofísicas do Hatha Yoga, que beneficiam tanto meu corpo físico e mental, são experiências grandiosas. Me fazem passear pelo meu corpo tendo uma biologia, uma fisiologia e muitas outras coisas que não se revelavam de forma palpável.

Aprendi a possibilidade do controle da energia vital do meu corpo (prana) através da consciência respiratória, de fortalecer meu corpo e de ser mais flexível (não só fisicamente). Vi minha postura física mudando e vi simultaneamente minha mudança de postura (não física) diante de tudo. O Yoga me ensinou a observar-me constantemente.

A saúde tornou-se um “vício”. Me vi tentando permanecer no estado alcançado no momento das aulas a todo instante. Vi minha insônia desaparecer, a qualidade do meu sono mudar, minha disposição aumentar, minha digestão melhorar, minha ansiedade diminuir, meu peito abrir… eu estava ali, diante do que tanto buscava entender na teoria: “Ir do corpo ao corpo”.

Com o tempo passando, fui somando experiências dentro desse mundo. E fui entendendo que Yoga não era só isso. Sem o conhecimento da parte teórica, cheguei a pensar que o Yoga trabalhava o corpo. O que inicialmente já era muita coisa pra mim. Mas fui descobrindo que o corpo neste território é apenas um dispositivo. Como um instrumento que você usa pra se construir algo muito maior. Fui me permitindo, através do corpo, trabalhar ramos da vida que vão além do corpo físico. Tendo contato com a parte teórica desta disciplina, o Vedanta, fui entendendo a grandiosidade do que pode ser o Yoga.

Apresento, assim, este território. Como um lugar possível de estar aprendendo sobre este tema que compõe meus dias, o Yoga. Sobre este estilo de vida, esta cultura, filosofia, prática ou mais precisamente esta disciplina que é capaz de me colocar presente no aqui e agora.

Este lugar tem o objetivo de tornar-se território. Um lugar onde seja permitido dar espaço para irmos do corpo ao corpo. Capaz de estar aqui e agora. É tentativa de encontro com o presente. Onde o presente é a constante da subjetividade. Onde o corpo possa ser mais um tom, daqueles que surgem e que se observa passar. Onde ele possa transformar-se naquilo que estiver sendo. Neste exato instante. Neste exato lugar junto à experiência subjetiva do Yoga. Fora do tapetinho.

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