o olho da pupila

Manoel de Barros contou, uma vez,  que era difícil fotografar o silêncio, no entanto, de tanto tentar, a foto que ele tirou teria saído legal. Saramago também, em uma de nossas conversas, nos ensinou que “pra se conhecer as coisas, há que dar-lhes a volta, dar-lhes a volta toda.” Bavkar, fotógrafo cego, mostrou que a fotografia se faz com o corpo todo.

O fotógrafo é aquele que se mistura e se compõem em seu processo de criar. Da pele ao osso inventamos imagens o tempo todo. Poesias visuais. Criamos realidades múltiplas em frações de um click. Eternizamos uma história, que é contata a cada vez que é vista. Fotografar é inventar o que não se vê, junto ao que está sendo visto. É olhar além, com o olho da pupila.

Não se sabe se os olhos são, como dizem, a janela da alma. Mas, caso seja, que essa janela esteja sempre aberta, sempre atenta… treinada para estarmos sempre construindo paisagens junto ao que não nos parece óbvio. Até ser possível capturar o que não é palpável. Até fazer do palpável e obvio, o desconhecido. Até que seja decretada a possibilidade de poesia em tudo o que vemos.

Aqui, o olhar é feito de silêncios e reticências.

Aqui, a poesia não dorme.

.

.

.

Visite nosso portfólio!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s