. Razão Inadequada – Ilustrações .

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Essas ilustrações  foram feitas para o site Razão Inadequada. Lá no site você pode acompanhar todo o trabalho de textos e outras ilustrações bem interessantes assim como pode saber um pouco mais sobre a gente clicando aqui. 🙂 

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Técnica: Nanquim em bico de pena.

Material: papel montval 300gm e nanquim.

Dimensões: 21x30cm

Originais disponíveis para venda.

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dietetica

Dietética

 

Leia o texto.

 

economica

Econômica

Leia o texto.

erotica

Erótica

Leia o texto.

verdade

Verdade

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. Ilustrações por Sem território .

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. quero-quero .

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ela pediu que eu começasse o que eu não sei

ela ouviu um qualquer coisa que pensei

ela fugiu em passos que eu não caminhei

ela sorriu, abriu em mim um tom sem dó

re mi fa sol

la si foi rima dando nó

 

tem quero, quero, bem te vi

tem lero, lero, colibri

 

ela perdeu a trama de ser uma só

desfez em voz o céu

ela me viu nesse quintal tomando nuvem

já que sou feita assim de sal

 

tem quero-quero, bemtevi

tem lero-lero, colibri

 

tem canto feito de você, você quer ver?

tem canto feito com você, cê quer ouvir?

tem mar e vento, sabiá, do ré mi fá

sol lá si vai

sem lero-lero, tem quero-quero

 

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. Fotografia de capa por Sem território .

. Música em parceria com Salinê Saunders/ Por escrito, por favor .

. a ponte .

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Existe uma ponte por onde caminha

de olhos fechados e peito aberto

alguém que nem feliz nem triste 

insiste em observar 

aquilo que se move diante de tudo

O corpo presente sem reação 

equânime, em plena contemplação 

dilata a pupila alerta

A mente controlada, aberta 

assim como o peito a cada inalação

Dissolver-se é ter textura de horizonte

Diante dos olhos olhar-se sem véu

Se atravessar como se fosse ponte

Desfazendo a pele como casa do eu 

Entre tudo, entretanto 

esse alguém por hora

 reside no aqui, agora:

lugar onde a poesia paga aluguel

Na rima de dentro e fora 

o corpo acordado aflora

flutuando entre a terra

e o céu

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. Poesia por Sem território .

. Fotografia de capa por Tanto Mar Fotografia .

. Ásana: Chakrasana (Postura da ponte) .

 

. estudo de caso .

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A memória fraca faz com que ela não saiba bem do que se trata a saudade. Aquela sensação de vazio e distância de algo que vibra junto com a gente compartilhando vida no mundo.
Ela é do tipo volátil, que muda a cada segundo como se coubessem várias dentro de si. Aprendeu a fluir com o movimento espontâneo. Daqueles que só o coração conhece.

Age como quem pula os precipícios de braços abertos e olhos fechados. Se abisma a cada segundo com o mesmo. Se repete infinitamente sem se cansar de si mesma. Carrega em suas antigas histórias, as canções e direções que teria aprendido quando criança.

Mesmo que não se lembre, ela sabe.

Se recusa a fazer planos, porque se move pelo que sente. E só quem sente demasiadamente é que sabe do que se trata fluir acreditando naquilo que explode o peito. E mesmo que não saiba pra onde está indo, nem como nem porquê… Apenas continua e continua aberta as surpresas que os caminhos podem oferecer.

Desapego…

São os benefícios indiscretos de quem tem falha na memória: Saber que a estrada se abre pra que a gente caminhe sem medo da vida. E não o contrário… Que a vida sabe o que faz, mesmo que nossa cabeça não saiba… Que a vida não se trata de acumular nada, nem coisas nem memórias que nos definem em um tempo que não existe mais.

Ela me ensina que a vida se trata de esquecer.

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Sim, to falando da Dory. Aquela do Nemo… Uma de minhas grandes inspirações. ♥

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. Texto e fotografia de capa por Sem território .

. a fome dos olhos .

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E assim se fez… Lá estou eu, indo em busca de outros caminhos. Em busca de novos galhos, como no voo nômade de um perdido passarinho. Em busca de outros mundos, de outro modo de bater as asas. Em busca de outro corpo, onde me encontro sempre em desencontros. Confirmando a ilusão de demarcar um território.

Em busca de outros lugares, outras imagens, novas fotografias. De outras palavras, de novos silêncios… Indo… sempre buscando começar novamente do zero. Em busca de outros olhos e de outras maneiras de olhar e ver o mundo. Territórios incompreensíveis onde se realizam sempre meus intermináveis vôos. As minhas despalavras do corpo.

Aqui estou eu… sentada em mais uma madrugada de insônia interminável, em sonhos que insisto ter de olhos abertos. Creio que o que me move são os olhos… as asas são apenas mecanismos, ou dispositivos de vôos. Mas o que me faz pousar de galho em galho é a fome de meus olhos.sem-territorio---47

Me fiz passarinho sem gaiola e agora estou aqui, outras vez, buscando a função primordial dos lábios: o riso. A alegria é combustível pro vôo. Ser feliz não basta para os passarinhos… É a alegria que pousa em mim que me faz seguir com os ventos. Que me coloca em busca de buscas intermináveis.

Vou eu, assim, nua… buscar desejos sempre insaciáveis. Sempre possíveis em minhas impossibilidades. Porque o mundo é vasto, ilimitado como a pele que habito e visivelmente contraditório.

Acho que hoje, é isso que me abisma. A busca interminável pela vida. Pelo movimento de vôos incertos. Pela elasticidade da pele não adormecida… e é por isso que estou indo.

Não são os lugares que busco, somente como espaços. Mas a possibilidade de mover-me de outro modo. De trocar a pele em outros ventos em dias que se fazem outros. Porque a vida é sempre mais que o que temos. Ela é imagem em movimento. Impermanência constante, sem pausa, onde o corpo flutua de braços abertos. Entrega.

DSC03648Não é o encontro de mim comigo mesma que busco… mas a desconstrução incansável de minhas prisões. É o caos do porto sedento de outros barcos. A procura inversa de minhas rotinas, outros vícios, outras frases compondo novas canções. São outros tantos na impossibilidade do novo. Outros traços no desenho de mim mesma. Cores i n f a b r i c á v e i s. Amores bruscos, mesmo que frágeis. Outros espelhos, embora quebradiços.

Não… não vou voando a procura de mim. Vou, cada vez mais, buscando um corpo interminável. Palavras indizíveis, imprevisíveis. Palavras sem governo, sem minhas ditaduras tão duras comigo mesma. Estou indo… trocar as fechaduras, perder as chaves, pra olhar o mundo de perto. Tocá-lo com outros olhos… os meus olhos que se fazem tantos. Horizontes e infinitos…

Dessa vez, não estou buscando fugir ou ir embora de mim… dessa vez, vou buscar o descontínuo pra praticar a fluidez… Vou em busca de outras saudades… palavras irreais. E agora, digo que sei: espero nunca saber o que quero. Pra que o tempo seja terno, pra que o desejo seja eterno. Etéreo, como quem boia leve e solto na profundeza de meus oceanos.

E lá vou eu… Na busca eterna dos quintais com esse desejo faminto de balanços.

até logo…

(Aracaju/ Se/ Junho de 2009 – mas parece que foi escrito hoje)

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. Texto e fotografias por Sem território .

. moça com brinco .

brinco-de-aquarela

“Bobagem,

Minha beleza não é efêmera
Como o que eu vejo
Em bancas por aí
Minha natureza
É mais que estampa
É um belo samba
Que ainda está por vir…

Bobagem pouca
Besteira
Recíproca nula
A gente espera
Mero incidente
Corriqueiro
Ser mulher
A vida inteira…

Minha beleza
Não é efêmera
Como o que eu vejo
Em bancas por aí
Minha natureza
É mais que estampa
É um belo samba
Que ainda está por vir
É um belo samba
Que ainda está por vir
É um belo samba
Que ainda está por vir…”

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Moça com brinco.

Técnica: Aquarela, nanquim, lápis de cor com ponta tricolor em sketchbook.

Original indisponível.

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Visite nosso ateliê

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. Ilustração por Sem território .

. Música de Céu .

. Párswa bakásana .

APOIO SOBRE BRACOSbaixa.jpg

Significado: Párswa: lado/ Bakasana: Postura do corvo

Esta é a postura do corvo realizada para lateral.

Execução: Em Vayutkásana (postura do vento), mantenha-se na ponta dos pés com os joelhos afastados. Mãos apoiadas no chão à frente dos pés. Quadril e cabeça levantados, flexione os braços e gire o tronco junto as pernas para lateral esquerda, tocando a coxa direita no cotovelo esquerdo.
Lentamente vá flexionando os cotovelos, mantendo a cabeça voltada para frente. Mantenha o peso do corpo sobre as mãos e os dedos do pé esquerdo, encontrando seu ponto de equilíbrio.
Inale e expirando, eleve o pé direito do chão, sustentando as pernas sobre o braço direito. Permaneça respirando de forma consciente. E desfaça retornando a posição inicial lentamente.

Repita para o outro lado.

Benefícios:  Fortalece os braços e punhos, desenvolve a musculatura das costas e pernas. Trabalha resistência, concentração e equilíbrio, ativando o plexo solar, órgãos abdominais, beneficiando a região lombar e sacral.

 

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Aconselhamos a você que nunca praticou Hatha Yoga, entrar em contato com professores qualificados que possam dar instruções corretas e trabalharem junto a você as suas necessidades primárias. Lembre-se que o ásana dentro do Yoga é apenas uma pequena parte. E que o corpo é um instrumento para o trabalho de auto-conhecimento que o Yoga propõe. Praticamos Hatha Yoga com o corpo e não para o corpo.

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. Texto por Sem território .

. Foto por Nara Paraná .

. entrevista Débora Arruda – Poesia .

Hoje nossa conversa é com uma mulher que leva Arruda no nome. Erva forte, de terra dura e seca, que mesmo calejada leva a força do cheiro em suas cores. Débora é assim, do tipo que não cala porque não tem medo de gritar e dizer e rimar. Ela fala de vida real, abre portas com o coração, tem os detalhes do dia-a-dia como grande inspiração. Em nossa conversa, ela nos conta um pouquinho sobre sua relação com seu corpo, nudez, empoderamento feminino, poesia e arte. Ela nos inspira porque usa das palavras pra desatar as mãos e transformar o mundo num lugar onde podemos simplesmente viver, e não sobreviver. Diz que “a poesia pode não derrubar os muros que nos separam, mas ela nos dá força pra gente ter como pular”.

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S.T. – Fale um pouquinho sobre você… Quem é Débora? O que gosta de fazer em seu dia-a-dia?

D.A. – Eu não gosto de falar sobre mim e sei que ao afirmar isso já estou falando, confuso, né? As pessoas que me olham com o microfone na mão, costumam me achar muito séria e fechada. Eu compreendo que elas tenham essa impressão, pois os meus poemas falam de vida real e ela além de dura, caleja a gente pra ser dura também.

Os meus dias são normais, eu cuido da minha casa, penso no que vou fazer para o almoço, fico sentada sozinha no ponto de ônibus por horas e durmo mal sem saber como vou pagar as minhas contas.

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Débora Arruda por Angélica Lima

S.T. – Como é o diálogo entre sua cabeça e o coração?

D.A. – Difícil.

Sabe quando a gente está na casa de alguém e não espera a pessoa para abrir a porta? Aí a gente vai lá e bate, empurra, chuta, entorta a chave e não abre. Essa é a minha cabeça. A dona da casa enfia a chave no buraco bem devagarinho e abre em menos de 3s, esse é o meu coração.

S.T. – Quem é Débora entre quatro paredes?

D.A. – Barulho e solidão.

S.T. – Como é ser mulher em nossa sociedade? Poderia falar um pouquinhos sobre empoderamento feminino? Como estão os homens no meio disso tudo?

D.A. – A primeira vez em que ouvi falar de empoderamento eu pude atravessar um portal onde eu encontrei várias mulheres do outro lado. Hoje ouço falar de empoderamento como um portal dentro de si e infelizmente algumas pessoas embarcam nessa viagem e não voltam mais… Acredito que o nosso empoderamento tem que ser para o fortalecimento coletivo, para retomar o poder numa perspectiva de mudar a sociedade. Dentro dessa sociedade existe todo mundo – não só a bolha onde vivemos- inclusive os homens, mas que não me parecem tão interessados no todo, pois adoram falar que são desconstruídos, ao invés de dizer que estão em desconstrução. Ninguém está completamente desconstruído. No dia que alguém disser isso por aí, você pode dizer a essa pessoa que ela não sabe de nada. A gente sente na pele todos os dias as marcas que uma sociedade opressora é capaz de deixar em nós, ser mulher dentro dela é saber que o processo de desconstrução é eterno e que essas marcas ainda vão doer muito, porque o tempo passa e a gente ainda continua lutando pelas mesmas coisas.

S.T. – Qual a sua relação com seu corpo e a nudez?

D.A. – Não consigo ver meu corpo e a nudez dentro de uma relação de hábito, vejo a nudez como algo pontual, um ato que acontece naquele momento, um estado. Eu estou vestida o tempo inteiro, mas em alguns momentos eu estou nua.

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Débora Arruda por Fernando Correia

S.T. – Como foi a sua última gargalhada? O que mais te fascina?

D.A. – Eu dou risada de tanta besteira, que nem sei se vale a pena contar. As pessoas vão parar de ler a entrevista por aqui mesmo hahaa.

As crianças. Elas me fazem perceber o quanto somos polidos ao longo da nossa vida e quantos filtros existem dentro de nós

S.T. – O que te causa revolta?

D.A. – Sentir as mãos atadas e não poder fazer nada, ter que me conformar com as coisas como elas são.

Continuar lendo

. traços cruzados .

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Abraçar é dar nós nos braços, sem atar.

é ligar um coração ao outro até juntar:

peito, pele, cheiro, batidas, pulmão e ar.

Abraçar é dar lugar seguro ao afeto,

que de fato, feito ato, é verbo de se afetar.

Tocar o outro devagar,

divagando o tato em devaneios,

desvendando o olfato e paladar.

Abraçar é deixar o outro entrar,

como quem abre as portas de casa…

é sentir-se seguro de olhos fechados,

cruzando os traços e as linhas do corpo…

é verbo que se faz lar.

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Ateliê: Traços cruzados.

Técnica: Nanquim/bico de pena em papel canson 300gm, 21x30cm, original disponível.

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. Ilustração e poesia por Sem território .

. Ei hermana(o) .

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Ei hermana(o)!
Não se leve tão à sério
De tudo que sabes sobre as coisas
Ficarão nas coisas
Depois que teu ir chegar
Nada há de restar
No bolso ou em qualquer lugar
Dessa melodia imensa que é viver
Tão brevemente
Como um suspiro longo no escuro

Ei hermana(o)!
Sobre os nomes que queres
Nos papéis bem carimbados dos deveres
De que são feitos eles?
Se não de tinta e fibra de uma árvore antiga, já ida como você, ali

Pra que servem?
Correto, cômodo
Seguro, estável… melhor
De que é feito aquilo que lhe é certo?
Se não de um sangue que corre musicado
Desde teu nascimento
Até quando cansar
E cansa

Ei hermana(o)!
Nada além desse silêncio inseparável existe pra além de tudo que vai
Que sentido faz apegar-se à um grão de areia preso nas mãos?
Deixa passar… anuviai

Ei… Lembra de ouvir o vento
De dançar sem jeito
De sentir os cheiros de olhos fechados
Lembra de desarmar a cara
O peito e o tempo
Permitir que o instante se revele imenso
Feito asa de borboleta nascida ao relento

Ei hermana(o)!
Não se leve tão à sério
Se nosso único destino certo é perecer (pra Ser…)

Ei hermana(o)… sente (((♡)))

S.S.

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. Poesia por Salinê Saunders/ Por escrito por favor .

. Fotografia por Sem território .

. dos jardins: arruda .

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Dos jardins: Arruda/ avenca

Matinhos/ Pr/ Brasil/ 2016

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. Fotografias por Sem território .

. esquizopoiética .

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eu vejo tudo de cabeça pra baixo…

não sei se foi o mundo que virou

ou se fui eu que comecei

a pensar com os pés

e a andar com a cabeça…

 

as vezes acho que meus rins doem no ouvido…

sem territorio - senhor do labirinto 3

deve ser a garganta que virou umbigo…

costuro minha boca algumas vezes por dia,

principalmente quando escuto o que não quero pelos cotovelos…

 

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tenho poucos dentes e artérias no cabelo…

 a faringe no lugar da coluna…

e em mim todas as palavras são iguais…

vísceras dando textura…

que nem as rimas

que em minha loucura se faz….

me escrevo o tempo todo no espelho1215883794748_f

e essa tinta tem o cheiro de entranhas

estranhas palavras,

estranhas…

fluindo a navegar pelo

ar líquido das veias,

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. Texto e fotografias por Sem território .

. das paisagens: Matinhos/pr/ brasil .

Matinhos, litoral do Paraná.

Cidade pequena, com aproximadamente 30 mil habitantes durante o ano… e dizem as boas línguas que chega a mais de 1 milhão e lá vai tantos no verão. Matinhos é assim. Cheia de pequenos contrastes. Tem lugar de encorajar o corpo com suas ondas bem aproveitadas na Praia Brava pelos seus surfistas, tem também a calmaria das águas salgadas de sua Praia Mansa. Tem horizonte e imensidão. Tem seus morros e curvas e pedras. Tem areia grossa e amarela que em poucos paços acaba no mar.

Tem cores fortes no céu. Tem brisa fria, gelada, na beira da praia. Ar quente e muita umidade o ano inteiro. Chuva, chuva e chuva alagando as ruas, deixando o movimento dentro de casa. Mas Matinhos também tem sol. Tem povo sorridente dando bom dia nas ruas, principalmente os mais simples e humildes. Porque é com humildade que você aprende a sorrir pra desconhecidos… Tem os carros dando espaço pro pedestre passar. Muita bicicleta pra lá e pra cá. Inclusive em dia de chuva… ótima oportunidade pra aprender a pedalar com uma mão no guidom e a outra segurando a sombrinha.

Matinhos é do tipo de lugar que se você acolher, também te acolhe. Também te conta histórias e te mostra suas poesias…

Matinhos tem mar no ar.

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Das paisagens: Matinhos/ Pr/ Brasil/ Semterritorio

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. Fotografias por Sem território .

. avencão .

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Avencão.

Técnica: nanquim, lápis de cor com ponta tricolor e tinta acrílica aquarelada em madeira.

Dimensão: 30x40cm

Original vendido.

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. Desenho por Sem território .

. D. .

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Divagar devaneios.
Diálogos doces devem durar dias…. devagar.
Derreter dores em discursos delicados.
Desculpe, duvido daquele distinto que diante disso diz: Doida!

Dó!

Distinto, o destino descasca durante décadas e depois de doses de descaso dirás que devaneios devem dividir as despesas do dia a dia: diplomas, dores, desejos, distância, dívidas, dúvidas, dinheiro, descanso, desilusão… detalhes que o devaneio dividido dilui.
Deus dá dias, e dicas, deixa ao deleite daqueles dedicados a descontração do deixar dançar as dores entre as doçuras do diálogo.

Durante decisões determinantes, distinto, devanear é dádiva!

S.S

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. Texto por Salinê Saunders – Por escrito, por favor .

. Fotografia de capa por Sem território .

. entrevista Suzana e Jorge – Yvy Porã .

Você já parou pra pensar sobre os impactos que causamos ao mundo vivendo da forma como vivemos? Sobre a importância da consciência de ser uno com a natureza e cuidá-la como quem cuida de si? Então… buscando uma “terra boa” pra aprender na prática o que fazer para transformar o nosso mundo, descobrimos a Su e o Jorge botando a mão na massa em Yvy Porã. Lá eles nos apresentaram esse mundo vasto que é a Permacultura. Em meio à Natureza, com práticas que nos permitem vivenciar a manutenção da vida de forma harmônica e consciente no mundo. Fora o curso que muda a vida de quem se propõe a fazer, rola o prazer de conhecê-los e aprender muita coisa que vai além de técnicas permaculturais… Rola aprender sobre história de vida, como se relacionar com amor, carinho e muita, mas muuuita risada, sorriso largo, coração batendo forte e brilho no olho. 

*

S.T. – Contem um pouquinho da história de vocês. Quem é Suzana? Quem é Jorge? O que vocês gostam de fazer no dia-a-dia de vocês?

Suzana: mulher, mãe, educadora. Ama estar na natureza, ama educar, compartilhar conhecimentos, ajudar… Adora trabalhar na terra, na horta, no campo… Ajudar na ordenha lá em Cerrito, passear e conversar com árvores. Escrever, ler (tudo, romances, poesia, livros teóricos…). Ama namorar e passear com o Jojo.

Jorge: homem, professor pardal, permacultor, curioso de engenhocas e tudo que tiver. Detesta barulho e multidões. Adora estar com amigos, ler, ver filmes de aventura e policiais. Adora compartilhar conhecimento.

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S.T. – Como vocês se conheceram? Como é estar junto hoje? O que cada um mais estimula no outro?

Nos conhecemos por uma amiga comum, naquelas coisas de sincronicidade: foi a primeira semana em 3 anos que o ex marido da Suzana pediu para ficar com as 3 filhas. Do aeroporto ela ligou para a amiga, que hospedava o Jorge… ai aconteceu… Há 21 anos. Quase uma vida não é? Nestes anos vivemos plenamente diferentes fases (da paixão, do trabalho de criar filhas, dos projetos de cada um e dos dois)… Com este tempo se convive, se constroe intimidade, companheirismo, amizade. Cada um sabe como o outro reage, como pensa, como responde, sabe ler o humor, etc. Tanta intimidade traz coisas lindas, e lógico, que alguns pequenos conflitos quando a gente começa a adivinhar o que o outro vai falar… heheheh

S.T. – Pra vocês, quais as maiores ferramentas de rEvoluções que existem?

 A maior é o interno, o de cada um… Pensar no que podes fazer para ser uma pessoa melhor, e deixar um mundo melhor para seus filhos, netos, etc… ai, pode-se escolher mil caminhos.

Nós optamos por um bem concreto: permacultura, para cuidar das pessoas, da terra, compartilhar excedentes, saberes, etc. Por que PC? Desde que eu trabalhava com crianças pequenas, sempre percebi que o trabalho concreto faz grandes transformações, em crianças, em adultos… a PC é um trabalho concreto… às vezes é difícil falar para alguém meditar, ou ter compaixão, que isso melhora o mundo… Mas é muito fácil falar: produza sua comida… E ao fazer isso, as pessoas mudam.

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S.T. – Por que Yvy Porã?

 Para viver a terra, para fazer permacultura, para acolher pessoas, para construir uma terra de boa ética (que é o significado em tupi guarani de Yvy Porã).

S.T. – Vocês tem um grande e inspirador trabalho com Permacultura… Como tudo isso começou? Por que a Permacultura é uma ferramenta importante de mudança na relação homem-natureza?

Jorge sempre foi ecólogo, trabalhava em universidades na Argentina com manejo Agro silvo pastoris, em comunidades do semi árido, etc. Ai falava destas coisas e eu, filha de fazendeiro, achava graça e que não existia… Ai , em 1998, um dia ele chegou com um folder da PC do projeto PNFC. Eu li disse: olha uns malucos que falam a mesma coisa que tu!

Ai ele se formou PC e seguimos, eu educadora, e ele permacultor… Devagar as coisas foram se aproximando e eu fiz o PDC em 2002. Então, começamos a construir o projeto coletivo que é Yvy.

Em 2008 eu comecei a dar o PDC junto com ele.

Como Jorge diz, antes ele era eco-chato, mas não propunha soluções. Acreditamos que a permacultura é mesmo uma ferramenta assessível e viável para pessoas melhores e um mundo melhor.

  Continuar lendo

. mandala .

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Ateliê: Mandala em caderno de desenho Miolito.

Nanquim, aquarela e lápis tricolor.

Original indisponível.

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. Ilustração por Sem Território .

. Sketchbook para Aquarela por Miolito .

. das paisagens: Aracaju/Se .

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Aracaju, meu amor…

Eu poderia descrever suas especificidades técnicas, o dia em que foi fundada, quantos habitantes acordam dia-a-dia em seu calor. Poderia descrever alguns bairros, a diversidade entre cada um deles retratada na arquitetura de suas casas, na diferença do sotaque, no jeito de se vestir, na largura de suas ruas…

Poderia relatar sobre a sua distribuição de renda e o quanto você mudou ao longo dos anos. Quantos carros e prédios você ganhou… quanta sombra e fumaça te deram. Poderia contar causos de sua política e sua forma peculiar de se organizar e de construir as suas pontes ou viadutos coloridos. Sua cultura local que muitas vezes borbulhava em silêncio, sem o olhar atento de muitos de seus habitantes. Mas confesso que não é isso que me brilha os olhos quando te trago na memória…

É a textura da areia e do quanto eu precisava caminhar pra chegar até a água, que me vem em sensações quando recordo de suas praias. É da vastidão do seu céu com suas infinitas cores e formatos de nuvens, o cheiro do mangue, o suor escorrendo no calor da pele e do corpo quente, inclusive em suas madrugadas, aguardando a noite descansar.

Foi contigo que aprendi que o vento muda quando o sol se põe. E que é bem melhor acordar com o sol entrando pelas frestas da janela que com um despertador. Foi em ti que vivi e convivi com pessoas que até hoje compõe a minha história. Foi contigo que descobri uma de minhas melhores paisagens enquanto descansava a pele nos troncos de seus cajueiros ou me refrescava com a água de seus côcos. Que pude sentir a beleza de contrastes, as diversas sensações que cada lugar em ti me proporcionou.

Sei que não nasci em ti. Que minha infância não compõe as suas histórias. Mas mesmo sendo andarilha desde sempre é a ti que recorro quando me perguntam de onde eu sou. É que você é um caso de amor incomparável. Você em sua singularidade me mostrou a beleza de toda e qualquer vastidão. Foi contigo que aprendi a não ter medo de minhas contradições…

Sei que não te vejo há tempos e que teu nome em mim é saudade. É que foi em tuas águas que boiei sem medo de ser eu mesma. Seja em suas ondas longínquas ou em seu rio de água salgada. Seja caminhando por suas ruas sem sombras deixando qualquer lugar infinitamente distante, ou porque em teu jeito plano de ser eu senti teu sopro em minha pele enquanto pedalava pra alguns lugares. Seja porque foi teu horizonte que me mostrou pela primeira vez a minha pequenez. E desde então me senti, enfim, tendo o tamanho que me cabe.

Nosso caso de amor não foi daqueles que acontecem à primeira vista, eu sei. Tivemos que nos adaptar cada uma ao seu jeito de se inventar. Tivemos que ter longas conversas e longos silêncios pra entender que de algum jeito a gente podia rimar. Desde então, meu amor, te carrego em cada passo que dou. E te espero de corpo aberto para o nosso próximo encontro.

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. Texto e fotos por Sem território .