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E assim se fez… Lá estou eu, indo em busca de outros caminhos. Em busca de novos galhos, como no voo nômade de um perdido passarinho. Em busca de outros mundos, de outro modo de bater as asas. Em busca de outro corpo, onde me encontro sempre em desencontros. Confirmando a ilusão de demarcar um território.

Em busca de outros lugares, outras imagens, novas fotografias. De outras palavras, de novos silêncios… Indo… sempre buscando começar novamente do zero. Em busca de outros olhos e de outras maneiras de olhar e ver o mundo. Territórios incompreensíveis onde se realizam sempre meus intermináveis vôos. As minhas despalavras do corpo.

Aqui estou eu… sentada em mais uma madrugada de insônia interminável, em sonhos que insisto ter de olhos abertos. Creio que o que me move são os olhos… as asas são apenas mecanismos, ou dispositivos de vôos. Mas o que me faz pousar de galho em galho é a fome de meus olhos.sem-territorio---47

Me fiz passarinho sem gaiola e agora estou aqui, outras vez, buscando a função primordial dos lábios: o riso. A alegria é combustível pro vôo. Ser feliz não basta para os passarinhos… É a alegria que pousa em mim que me faz seguir com os ventos. Que me coloca em busca de buscas intermináveis.

Vou eu, assim, nua… buscar desejos sempre insaciáveis. Sempre possíveis em minhas impossibilidades. Porque o mundo é vasto, ilimitado como a pele que habito e visivelmente contraditório.

Acho que hoje, é isso que me abisma. A busca interminável pela vida. Pelo movimento de vôos incertos. Pela elasticidade da pele não adormecida… e é por isso que estou indo.

Não são os lugares que busco, somente como espaços. Mas a possibilidade de mover-me de outro modo. De trocar a pele em outros ventos em dias que se fazem outros. Porque a vida é sempre mais que o que temos. Ela é imagem em movimento. Impermanência constante, sem pausa, onde o corpo flutua de braços abertos. Entrega.

DSC03648Não é o encontro de mim comigo mesma que busco… mas a desconstrução incansável de minhas prisões. É o caos do porto sedento de outros barcos. A procura inversa de minhas rotinas, outros vícios, outras frases compondo novas canções. São outros tantos na impossibilidade do novo. Outros traços no desenho de mim mesma. Cores i n f a b r i c á v e i s. Amores bruscos, mesmo que frágeis. Outros espelhos, embora quebradiços.

Não… não vou voando a procura de mim. Vou, cada vez mais, buscando um corpo interminável. Palavras indizíveis, imprevisíveis. Palavras sem governo, sem minhas ditaduras tão duras comigo mesma. Estou indo… trocar as fechaduras, perder as chaves, pra olhar o mundo de perto. Tocá-lo com outros olhos… os meus olhos que se fazem tantos. Horizontes e infinitos…

Dessa vez, não estou buscando fugir ou ir embora de mim… dessa vez, vou buscar o descontínuo pra praticar a fluidez… Vou em busca de outras saudades… palavras irreais. E agora, digo que sei: espero nunca saber o que quero. Pra que o tempo seja terno, pra que o desejo seja eterno. Etéreo, como quem boia leve e solto na profundeza de meus oceanos.

E lá vou eu… Na busca eterna dos quintais com esse desejo faminto de balanços.

até logo…

(Aracaju/ Se/ Junho de 2009 – mas parece que foi escrito hoje)

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. Texto e fotografias por Sem território .

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