Você já parou pra pensar sobre os impactos que causamos ao mundo vivendo da forma como vivemos? Sobre a importância da consciência de ser uno com a natureza e cuidá-la como quem cuida de si? Então… buscando uma “terra boa” pra aprender na prática o que fazer para transformar o nosso mundo, descobrimos a Su e o Jorge botando a mão na massa em Yvy Porã. Lá eles nos apresentaram esse mundo vasto que é a Permacultura. Em meio à Natureza, com práticas que nos permitem vivenciar a manutenção da vida de forma harmônica e consciente no mundo. Fora o curso que muda a vida de quem se propõe a fazer, rola o prazer de conhecê-los e aprender muita coisa que vai além de técnicas permaculturais… Rola aprender sobre história de vida, como se relacionar com amor, carinho e muita, mas muuuita risada, sorriso largo, coração batendo forte e brilho no olho. 

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S.T. – Contem um pouquinho da história de vocês. Quem é Suzana? Quem é Jorge? O que vocês gostam de fazer no dia-a-dia de vocês?

Suzana: mulher, mãe, educadora. Ama estar na natureza, ama educar, compartilhar conhecimentos, ajudar… Adora trabalhar na terra, na horta, no campo… Ajudar na ordenha lá em Cerrito, passear e conversar com árvores. Escrever, ler (tudo, romances, poesia, livros teóricos…). Ama namorar e passear com o Jojo.

Jorge: homem, professor pardal, permacultor, curioso de engenhocas e tudo que tiver. Detesta barulho e multidões. Adora estar com amigos, ler, ver filmes de aventura e policiais. Adora compartilhar conhecimento.

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S.T. – Como vocês se conheceram? Como é estar junto hoje? O que cada um mais estimula no outro?

Nos conhecemos por uma amiga comum, naquelas coisas de sincronicidade: foi a primeira semana em 3 anos que o ex marido da Suzana pediu para ficar com as 3 filhas. Do aeroporto ela ligou para a amiga, que hospedava o Jorge… ai aconteceu… Há 21 anos. Quase uma vida não é? Nestes anos vivemos plenamente diferentes fases (da paixão, do trabalho de criar filhas, dos projetos de cada um e dos dois)… Com este tempo se convive, se constroe intimidade, companheirismo, amizade. Cada um sabe como o outro reage, como pensa, como responde, sabe ler o humor, etc. Tanta intimidade traz coisas lindas, e lógico, que alguns pequenos conflitos quando a gente começa a adivinhar o que o outro vai falar… heheheh

S.T. – Pra vocês, quais as maiores ferramentas de rEvoluções que existem?

 A maior é o interno, o de cada um… Pensar no que podes fazer para ser uma pessoa melhor, e deixar um mundo melhor para seus filhos, netos, etc… ai, pode-se escolher mil caminhos.

Nós optamos por um bem concreto: permacultura, para cuidar das pessoas, da terra, compartilhar excedentes, saberes, etc. Por que PC? Desde que eu trabalhava com crianças pequenas, sempre percebi que o trabalho concreto faz grandes transformações, em crianças, em adultos… a PC é um trabalho concreto… às vezes é difícil falar para alguém meditar, ou ter compaixão, que isso melhora o mundo… Mas é muito fácil falar: produza sua comida… E ao fazer isso, as pessoas mudam.

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S.T. – Por que Yvy Porã?

 Para viver a terra, para fazer permacultura, para acolher pessoas, para construir uma terra de boa ética (que é o significado em tupi guarani de Yvy Porã).

S.T. – Vocês tem um grande e inspirador trabalho com Permacultura… Como tudo isso começou? Por que a Permacultura é uma ferramenta importante de mudança na relação homem-natureza?

Jorge sempre foi ecólogo, trabalhava em universidades na Argentina com manejo Agro silvo pastoris, em comunidades do semi árido, etc. Ai falava destas coisas e eu, filha de fazendeiro, achava graça e que não existia… Ai , em 1998, um dia ele chegou com um folder da PC do projeto PNFC. Eu li disse: olha uns malucos que falam a mesma coisa que tu!

Ai ele se formou PC e seguimos, eu educadora, e ele permacultor… Devagar as coisas foram se aproximando e eu fiz o PDC em 2002. Então, começamos a construir o projeto coletivo que é Yvy.

Em 2008 eu comecei a dar o PDC junto com ele.

Como Jorge diz, antes ele era eco-chato, mas não propunha soluções. Acreditamos que a permacultura é mesmo uma ferramenta assessível e viável para pessoas melhores e um mundo melhor.

 

S.T. – Como funciona o curso de PDC que vocês promovem na Casa da Montanha? E o curso de formação para instrutores de PDC?

 O PDC em Yvy é algo especial… São 9 dias imersos num lugar mágico, discutindo e pensando como viver de forma autônoma e sustentável… Como construir soluções à crise ambiental, social, civilizatória. Assim, o PDC mostra soluções, dá o start ao processo de fazer experimentar, ser permacultor.

Já o curso da formação de instrutores é para quem já tem no mínimo dois anos fazendo permacultura, é meio uma reciclada, para quem tem o PDC e vivencia a permacultura , tem uma bagagem e quer, em algum momento, começar a dar oficinas e cursos… São novamente 9 dias, discutindo os conteúdos do curso, de forma mais aprofundada, dando embasamento. Nas aulas os instrutores buscam ver os conteúdos propostos por Bill Molison, que estão nos Sylabus (um documento que sistematiza o PDC), com 3 enfoques: “o conteúdo é esse, os conceitos que embasam são estes, e eu daria a aula assim”.

O mais engraçado é que os permacultores mais experientes que conhecemos acham que não estão prontos para dar um PDC, já tem uma moçada com pouca estrada que sai dando cursos por ai… Por isso montamos esta formação.

S.T. – A Permacultura é acessível a todos? Como ela pode promover mudanças na vida das pessoas que chegam a ter este conhecimento?

Acho que não podemos endeusar a PC… Há muitos movimentos e caminhos… O movimento de agroecologia no sul do Brasil é fortíssimo, e chega a lugares e pessoas que o povo da cidade nem imagina. (aliás, as metrópoles são muito auto-fágicas, acham mesmo que a cultura é só o que sai na mídia, e que o mundo é o seu, e só o seu…). A PC também tem muita gente agindo pelo interior, com comunidades indígenas, quilombolas, pequenos municípios, etc. Mas o que impera é a visão da PC elitista, urbana etc. Por exemplo, há uns 8 anos, um rapaz, em Cerrito, interior de SC, que plantava cebola com veneno, fez um PDC… Passou a cultivar orgânicos, ele é um grande aglutinador de pessoas. Devagar foi trabalhando, organizou grupo, montou com seus pares uma cooperativa de orgânicos, hoje tem com os irmãos uma loja em Curitiba e a cooperativa tem um box na área do CEASA em SP… Que tal? Quantas pessoas este rapaz afetou? Quanto mudou a sua vida e de cada um que compra lá em SP um produto ético, limpo? Isso não aparece nas estatísticas da turma que diz que a PC é branca, urbana e de classe média.

 S.T. O Permacultor é aquele que “observa e interage, lê a paisagem e o contexto à sua volta, devolve os recurso usados ao meio ambiente da mesma maneira que recebeu…”. Como pensar Permacultura em uma cidade grande? O que as pessoas poderiam fazer para diminuir seus impactos no dia a dia mesmo estando em uma metrópole?

 Para um planeta sustentável as metrópoles não existem. As metrópoles devem se esvaziar, ter uma volta às pequenas cidades. Por que? Porque nas cidades menores a cidadania é possível, a economia mais próxima entre consumidor e produtor, a vida melhor… Acho graça da turma que ama ir para Europa ou USA, quantas cidades de milhões de habitantes tem na Europa?  Mas aqui, só as metrópoles são legais… Não é esquizofrênico? Vamos passear na Toscana, ou na Provance… Mas viver é na metrópole.

Sinto chocar… mas o melhor caminho é sair das grandes cidades! E acredite: a gente não apenas sobrevive, como VIVE melhor.

S.T. – O que vocês pensam sobre a humanidade?

 A coisa está feia… O capitalismo, o fundamentalismo, a crise ambiental, moral etc nos leva a uma crise civilizatória terrível. Mas acreditamos que essencialmente as pessoas são boas. Pelo menos parte delas… E achamos que o SER vai sendo importante, mais que o TER. E que a consciência planetária vai despertando.

S.T. – Como é o diálogo entre vocês e as palavras: natureza, tempo, simplicidade, corpo e relações.

 Falamos muito, e temos muitos momentos de silêncio, de respeitar o outro, e seus tempos. Cozinhamos, cada hora um, em geral faço o almoço, e Jorge o jantar. Curtimos namorar, ver filmes, lemos muitas vezes os mesmos livros. Sempre tivemos uma proximidade física grande, de beijo, abraço, etc, e ai o legal é que já vivemos fases bem diferentes com o passar dos anos… O companheirismo cresce e sabe respeitar os momentos de cada um, de cada fase da vida. 

S.T. – O que vocês fazem no dia-a-dia de vocês que lhes tornam pessoas melhores?

 Hum, difícil esta pergunta…. Acho que tudo que foi falado antes… Cuidar da casa, da terra, manter o blog, conversar e acolher pessoas… 

S.T. – O que vocês fazem para tornar o mundo um lugar melhor?

 Criamos 5 filhos… Pessoas lindas, éticas, que agora começam a ter filhos (temos 2 netos). Acho que estas boas pessoas para o planeta foi a melhor e maior coisa que fizemos. Como segunda coisa, são os filhos adotivos, os jovens que nos buscam para ajudá-los a fazer um mundo melhor…

S.T. – Quais suas maiores inspirações?

Uiii tantas… David Holmgren, Ghandi, Fukuoka, Ana Primavesi, Stefen Gliesmann, Tom Jobim, Lois Armstrong, Marthin Luther King…

 S.T. – Uma frase…

 “O que não é divertido (para todos) não é sustentável.”

Ou “Somos o resultado das nossas escolhas.”

ou “ Ainda que minha viagem durasse um único e mísero dia, eu havia me livrado do pior tipo de naufrágio: não partir.” (Amyr Klink)

S.T. – Gostariam de acrescentar algo mais?

Sejam felizes FORA das grandes cidades… Esta coisa de permacultura nas metrópoles é furada… é remedar e mentir para si mesmo, seguindo dentro da escravidão moderna. O grande mito da caverna moderna.

 S.T. – Que projetos, ideias ou pessoas vocês gostariam de ver sendo divulgados por nós? Por quê?

Aí vão: Marcos Abreu e a revolução dos baldinhos. Dida e a pousada Vitória de Santa Rosa de Lima aqui em Santa Catarina. Gardel e Simone do Sítio Sucupira. Sérgio e Monica do Sítio Nós da teia, no DF e Iberê e Nathi do Chocolate Tiwa da Bahia.

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Para acompanhar as novidades, informações sobre os cursos e entrar em contato, acesse o site do Yvy Porã e a página do Facebook.

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. Suzana e Jorge/Yvy Porã por Sem território .

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Um comentário sobre “. entrevista Suzana e Jorge – Yvy Porã .

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