Hoje nossa conversa é com Manu Cunhas, ilustradora, designer, apaixonada por gatos, gosta  de cores polêmicas como azul esverdeado ou verde azulado. Tem se dedicado ao projeto “Outras meninas”, o qual ela traz em ilustrações relatos de mulheres e suas diversas histórias e relações com o próprio corpo.  Ela conta um pouquinho sobre sua relação com seu trabalho e traz mais detalhes sobre o seu projeto. Admirando muito seu trabalho e acreditando na força desse projeto a gente traz a Manu como inspiração de hoje e aproveitamos para convidar vocês a colaborar com o financiamento coletivo pelo Catarse.
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S.T. – Quem é Manu? Conta um pouquinho da sua história e de como são os seus dias…
Bom, moro em Florianópolis desde que vim pra faculdade e sou formada em design gráfico pela UDESC, onde leciono atualmente. Trabalho como ilustradora freelancer há vários anos e foco meus trabalhos como designer na área editorial. No meu tempo livre toco os meus projetos pessoais e procrastino haha
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S.T – Fala pra gente sobre seu projeto “Outras meninas”. Como surgiu a ideia do projeto? 
O projeto surgiu da vontade de desenhar o corpo feminino real, mas logo foi se adaptando até chegar no formato atual que conta com relatos e referências de mulheres reais. Eu produzo o conteúdo dele, mas a construção é feita com a ajuda de todos, já que o importante é a existência das histórias. O livro sempre foi o objetivo físico do projeto e está sendo meio suado conseguir arrecadar a soma do Catarse :}
S.T. – Como é entrar em contato com relatos tão íntimos de outras meninas? O que você tem aprendido com o projeto? De todos os depoimentos tem algum que você mais se identifica?Como e por quê? 
Acho que eu aprendi que todo mundo tem uma relação complicada com o próprio corpo. A melhor parte do projeto é a empatia que rola no seu espaço, acho que só com ele que comecei a perceber a importância de se colocar no lugar do outro ao invés de diminui-lo, como as vezes fazemos apenas para nos sentirmos um pouco melhor. Eu não sei dizer se tem um com o qual me identifico mais, acho que tirando um pouquinho de cada história conseguimos construir a nossa própria.
S.T. – O que é um corpo? Qual a sua relação com o seu corpo?
O corpo é que nos permite viver nossas vidas e também expressar nossa personalidade. Acho que hoje tenho uma relação de curiosidade com o meu corpo, tentando entender ele melhor.
S.T. – Como você lida com a nudez? 
Com a minha nudez sou ainda bem tímida, com a dos outros acho que sou muito apreciativa, sempre achei o nú muito belo, independente da questão sexual. Ele tem a capacidade de contar uma história tão cheia de detalhes, engraçado como normalmente forçamos essa narrativa, queremos que nosso corpo expresse algo que muitas vezes não somos.

S.T. – O que é arte pra você? Você desenha desde quando? Como é trabalhar com ilustração?
Pois agora, acho que não sei responder isso hahah
Eu sou designer por formação, minha ligação com a arte sempre foi pela apreciação estética, acho que nunca havia visto o que eu produzo como arte, embora seja visto assim por muitos. Sinto que arte é mais livre do que consigo expressar, mas quem sabe de fora o que isso pareça né? Eu comecei a desenhar como todos na infância, só que não parei. Apesar de sempre ter gostado e estudado, não imaginava isso como uma profissão, então fico muito feliz que coincidências da vida tenham me direcionado a trabalhar na área. Acho que cada profissional vai dar uma visão sobre a profissão, mas eu trabalho de maneira bem técnica com ilustração. Considero um bom trabalho, mas ainda é um trabalho. Sinto prazer com o que faço, mas ainda existe o momento para se divertir e o momento para suar ou falar de dinheiro.
S.T. – Desenhar é um ato solitário? Como você lida com a solidão? 
Olha, no meu caso é bastante, já que trabalho no meu escritório em casa. Não é completamente solitário, porque tenho gatos que me acompanham, e isso me faz muita diferença. Gosto bastante de trabalhar sozinha, mas as vezes fico um pouco doida sem falar com ninguém o dia todo. Para compensar, volta e meia pego o trabalho e levo para o parque, ou mesmo um café. As aulas que dou são o respiro para eu tirar o pijama e voltar a interagir com outros humanos.
S.T. – Como é ser mulher em nossa sociedade? O que você tem pensado/sentido a respeito do movimento feminista tendo mais espaço e mais voz? Como você tem vivido tudo isso?
Está sendo bastante curioso me inserir no universo feminista. Aprendi bastante no último ano e por ser um movimento muito facetado, cheio de linhas de pensamento, as vezes nos deparamos com ideias com a qual concordamos ou não, o que é ótimo porque gera reflexão. Existe uma ideia básica no movimento, que á igualdade de oportunidades e direitos para ambos os sexos, mas existe muita coisa que é pouco abordada, como o espaço da mulher trans ou feminismo negro, por exemplo. Coisas como respeito, a luta pelo sucesso ou a segurança, não são vividas da mesma forma por todas as mulheres, então pensar que existem sim mulheres que tem bem mais dificuldade para conseguir as mesmas coisas é necessário. As redes sociais deram muita voz aos movimentos, mas agora é hora de quem tem interesse se aprofundar mais e tentar perceber que o mundo é bem maior do que o que nos cerca.
S.T. – Beleza, amor-próprio, amizade, padrões e rejeição, foram palavras que reverberaram em vários relatos publicados. Como é o seu diálogo com essas 5 palavras?
Bom, isso é a vida em sociedade de certa forma. A nossa imagem e nosso círculo de amigos ou familiares rege nossa vida, então é natural que esse pontos apareçam tanto no texto. A necessidade de ser aceito, e por consequência, a tentativa de se enquadrar em algum padrão, é algo que fazemos desde sempre, tentando incialmente agradar a família e mais tarde um bando de pessoas com as quais conviveremos. Só que normalmente vivemos no automático, da maneira que nos foi ensinado que era certo, sem contestar muito. Não percebemos como tem opções ao nosso redor, geralmente achamos que é só sim ou não. Ou sou bonita ou feia, me amo completamente ou não amo nada, ou estou certa ou errada, como se fosse assim simples. Hoje eu penso mais sobre as coisas que fazem bem e as que me fazem mal, tentando só deixar a vida mais tranquila. Já é tão difícil viver bem e sustentar a vida, se for possível simplificar as coisas, vou tentar hehe
S.T. – Qual sua cor e palavra preferida? Por quê?
Não tenho uma palavra favorita, acho que não sou muito vocal, e as cores mudam de acordo com o contexto. De uma maneira geral, adoro  cores que estão no meio do caminho, o azul esverdeado, verde azulado, aquelas cores que cada um que vê interpreta de um jeito. Acho que gosto de polêmica haha
S.T. – Quais suas maiores inspirações? O que te faz rir?
Não sei dizer ao certo o que é me inspira. Sinto que tem coisas que odeio e me inspiram, mesmo que seja só como uma referência de como não devo ser. Muitas pessoas me inspiram positivamente e negativamente, mas acho que coisas pequenas  fazem muito bem e me alegram o dia. Um inseto que acho no chão e desenho, um matinho com cores bonitas na calçada, não sei, é tão aleatório. Gosto de ouvir música e ficar numa sombra fresquinha, gosto de ficar sozinha nessas horas e desenhar. Não sou de rir muito, mas sorrio bastante sozinha quando percebo coisas que considero agradáveis. Meu marido me faz rir, ou cheiro de dama da noite que sinto aleatoriamente. O que mais me faz rir são meus gatos.
S.T. – O que você faz em seu dia-a-dia que te torna uma pessoa cada vez melhor?
Acho que o exercício de empatia diário está me fazendo crescer bastante.
S.T. – O  que você faz em seu dia-a-dia que torna o mundo um lugar melhor?
Acho meio arrogante eu afirmar que eu faço algo que tornar de fato o mundo melhor.
Provavelmente alguns dos meus trabalhos inspiram o dia de muita gente, ou quem sabe irrite, mas algum barulho faz haha
S.T. – Você teria algum projeto, pessoa ou ideia que gostaria de ser visto sendo divulgado por nós? Por quê?
. https://www.facebook.com/delirium.nerd – Produzo para essa página uma HQ semanal e gostaria de indicar porque o resto do conteúdo é muito bom! Sempre leio os textos das colaboradoras e conheci muitas autoras femininas desde que comecei a lê-los.
https://www.instagram.com/dois.de.nos/ – Adoro os desenhos deles ❤
. Nerdologia, que acho muito bem produzido e super instrutivo.
Para saber mais sobre a Manu, visite seu Facebook e seu canal no Youtube.
Para saber mais sobre seu projeto Outras meninas, visite o FacebookInstagram e o Site.
Colabore com o projeto Outras meninas no Catarse.
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. Manu Cunhas por Sem território .
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