Entre cores, personagens, frases, simplicidade,  e tantas outras coisas, Dani vive uma vida sossegada em Salvador/Ba. Em seu site Respire, ela traz conteúdos diversos sobre Yoga, cosméticos naturais, saúde, bem estar e vida. Em nossa conversa, ela traz sobre como é ser professora de Yoga, como surgiu o seu projeto e também um pouquinho sobre ela. Aqui a gente deixa o convite pra que você Respire e se inspire com ela.

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S.T. – Quem é Dani? Fale um pouquinho sobre você e como são os seus dias…

Sou baiana, tenho 29 anos, taurina, soteropolitana, formada em design gráfico, mas meu trabalho principal hoje é dar aulas de yoga em casa. Gosto de coisas simples, como acordar cedo e sentir a energia do dia começando, ler, dançar. Como eu trabalho de casa, levo uma vida sossegada, na qual tenho tempo para as coisas importantes.

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S.T. – O que é uma vida de Yoga? O que te levou ao encontro desta tradição?

Conheci o Hatha Yoga em 2006, com 19 anos, por pura curiosidade. Pratiquei por um ano e amava, mas tive que deixar por motivos que na época eram válidos. Apesar de só ter voltado a ter contato em 2010, o yoga nunca saiu de mim completamente, pois é uma prática que provoca efeitos e questionamentos muito profundos, mesmo em tão pouco tempo. Em 2010 eu tive uma experiência mística que me fez retomar o contato com o yoga, dessa vez na forma de meditação (Raja Yoga). Comecei a praticar intensamente, e em 2012 retomei o contato com a prática de asanas e em 2013 me formei como instrutora.

Uma vida de yoga é uma vida com base na auto sinceridade, ou seja, na capacidade de olhar para si mesmo e assumir-se como se é, sem máscaras, e mesmo assim estar bem consigo mesmo. Viver o yoga é estar em constante presença ao mesmo tempo do divino e da sua própria humanidade.

 S.T. – Como é ser professora de Yoga? O que mais te estimula e quais as maiores dificuldades deste trabalho?

Acho que a maior dificuldade é manter uma renda estável, pois a presença dos alunos é muito sazonal. Existem alguns meses mais difíceis que outros, mas não tem jeito, isso faz parte da natureza do trabalho. O que me estimula é intangível: é ver que as pessoas sempre saem de uma prática de yoga se sentindo melhores do que quando entraram. Não porque de repente elas passam a ver um mundo que é só flores e beleza, mas porque ali é um espaço onde elas têm permissão pra olhar honestamente para si mesmas e se permitirem ser quem são. Nas aulas elas aprendem a aceitar corpo e mente como eles são, com suas características boas e ruins, e assim elas podem relaxar. Aprender que não é preciso mudar a própria natureza para se sentir em paz consigo mesmo é o início de uma grande revolução na vida de uma pessoa, e é isso que eu busco ensinar nas minhas aulas em primeiro lugar.

 

S.T. – Por que pensar a respiração é tão importante?

A respiração é o elo mais íntimo que liga a consciência a esse corpo. Sem respiração, não existe corpo vivo. Portanto, observar a respiração é observar o corpo e a mente. Ao dar ritmo à respiração, você faz com que todo o seu corpo e mente pulsem na mesma frequência, e essa experiência de unidade é o mais próximo que se pode chegar do silêncio estando de olhos abertos. É possível mudar de estado mental utilizando a respiração, desde gerar um grande fluxo de energia quanto acalmar profundamente. Pensar a respiração é importante por isso: as pessoas desconhecem que têm esse poder, que pode vir de algo tão simples quanto respirar de forma consciente.

S.T. – Fala pra gente sobre o Respire”… Por que do nome? Você promove cursos de meditação e yoga, como são esses cursos? Algum novo projeto em mente?

A ideia do respire surgiu antes do nome. Eu queria criar um blog para escrever sobre yoga em uma linguagem que fosse acessível para a maioria das pessoas. Passei mais de um mês pensando noite e dia num nome, e parecia que nada que vinha era bom o suficiente. Até que um dia, aparentemente do nada, veio: respire. Na hora nem acreditei que não tivesse pensado nisso antes, porque era tão simples e expressava perfeitamente o que eu queria transmitir. Pesquisei pra ver se já existia, e tal foi o meu espanto ao ver que não existia ainda nenhum blog/site com esse nome. Registrei na hora! Foi uma ótima lição de que aquilo que é simples nem sempre é fácil.

Os cursos e aulas especiais que eu promovo são momentos onde é possível estender um pouco os conceitos praticados dentro das aulas de yoga e presentes nas entrelinhas dos textos do blog. É uma forma de colocar na mesa aquilo que realmente importa, o que está além das posturas, da respiração, do discurso. Quem se conecta com a prática de uma maneira mais profunda se beneficia muito dessas aulas, pois percebe que não se trata de uma simples ginástica.

 S.T. – Como é o seu processo de criação de escrita? E de criação dos personagens que compõe o blog? Você desenha desde quando? Qual o personagem que você mais se identifica?

Pra os textos não tem um processo de criação bem definido. É o que eu estou pensando/sentindo no dia e dá vontade de escrever. Por isso que não é muito regular. Às vezes passo longos períodos sem escrever, e do nada volto com um texto por dia. Não me imponho ritmo, apenas vou fazendo.

Sobre os yoginhos, é uma história engraçada. Acredite se quiser, eu nunca tive nenhuma intimidade com ilustração. Acontece que desde que eu entrei pro mundo do Yoga, sempre tive uma ligação muito forte com Krishna (tanto que ele é o personagem principal do respire). Um dia, no dia do janmashtami (dia no ano em que é celebrado o nascimento de Krishna) de 2013, se não me engano, estava me sentindo inspirada e resolvi fazer um desenho de uma cena que surgiu na minha mente (abaixo): ele tocando flauta e eu ouvindo.

Fiz e postei na minha página pessoal (o respire ainda nem existia). Um dia, depois que o blog e a página já estavam ativos, resolvi postar essa imagem pra ver no que dava. E bombou! Todo mundo se apaixonou. Não demorou muito pra toda a linguagem da página se transformar inteiramente em função dele, o Krishna Yoginho. A partir daí surgiram os outros desenhos, e ainda vão surgindo. Em pouco tempo comecei a produzir as camisetas, e estamos aí até hoje.

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S.T. – Você traz também em seu trabalho um interesse por cosméticos naturais. Por que pensar sobre isso é tão importante?

Tudo o que a gente põe na pele vai pro sangue, e o que não vem pra dentro vai pra fora (pro ambiente). Quando utilizamos substâncias sintéticas que o corpo não tem a capacidade de processar e eliminar, elas ficam lá depositadas nos tecidos, e isso pode desencadear uma série de problemas. Levamos uma vida que não é perfeita, pois estamos cercados dessas substâncias até mesmo no ar, mas eu acredito que quanto mais a gente puder diminuir o uso direto delas, melhor. Quanto menos processado, melhor eu me sinto usando, pois estou valorizando o trabalho do pequeno produtor, menor é o impacto negativo para minha saúde e para o planeta.

Fora que eu acredito mais na eficácia de usar diretamente algo natural. Pra que comprar um shampoo à base de babosa, por exemplo, quando eu posso ter de graça a planta em casa e usar quando quiser? Dá um pouco mais de trabalho, mas acho que vale a pena o esforço.

S.T. – Que dicas importantes você daria àqueles que estão entrando no mundo do Yoga agora? E aos futuros professores?

Uma postura de yoga é só uma forma, nada mais que isso. O exercício de yoga mais importante é observar a si mesmo com honestidade e ter coragem de aceitar a si mesmo como se é, com suas emoções, sentimentos, limitações e tudo o mais. A autoaceitação é o primeiro e mais importante passo para a liberdade.

S.T. – Qual a sua relação com o desapego?

É engraçado, porque acho que a palavra desapego é muito mal empregada pela maioria das pessoas. Muita gente acha que desapego é sinônimo de não se importar com algo, ou não querer, e tenho pra mim muito claro que não é isso. Para mim, desapego é sinônimo de discernimento, ou seja, é saber que a natureza do mundo é transitória e ainda assim se relacionar com o mundo aqui e agora e estar bem com isso. Desapego é tomar um sorvete delicioso e, por saber que aquele prazer só vai durar alguns minutos, porque essa é a natureza daquela experiência, desfrutar daquele momento totalmente presente, com todo o seu ser. Desapego pra mim não é não querer, não sentir, mas é sim aprender a apreciar as coisas pelo que elas são: eternas em sua transitoriedade.

 S.T. – Qual a sua palavra favorita? Por quê?

Valparaíso. Talvez porque essa palavra tenha aparecido algumas vezes na minha vida em contextos estranhos, uma vez apareceu escrita associada ao meu nome como se fosse minha cidade de origem, e outra vez em sonho. Nunca tinha ouvido falar antes, mas fui pesquisar e descobri que é um lindíssimo vilarejo no Chile, com casas super coloridas… tudo a ver comigo. Deve ser algo karmico. Taí, me lembrei que preciso visitar Valparaíso algum dia.

S.T. – Quais suas maiores inspirações?

Não sei dizer exatamente, porque a minha atenção está sempre mudando de um ponto pra outro. Então eu diria que a minha maior inspiração é a vida, são as coisas que eu vejo, as pessoas e suas lições inesperadas, a quebra constante das certezas que tenho diante da descoberta de que nada realmente eu sei. Isso me inspira!

S.T. – O  que você faz em seu dia-a-dia que torna o mundo um lugar melhor?

Acho que olhar para mim mesma com atenção e honestidade buscando tentar ser uma pessoa melhor já contribui muito para que o mundo seja um lugar melhor.

S.T. – Você teria algum projeto, pessoa ou ideia que gostaria de ser visto sendo divulgado por nós? Por quê?

Pantala Calçados, nova marca de sapatos veganos.

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2 comentários sobre “. entrevista com Daniela Navaes – Respire .

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