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Sempre quis ser invisível, o máximo que consegui foi voar.
Tentei compreender que viver em plural é fascinante, embora desgastante.
Assumi corpo e imagem, acionei jeitos e me apresentei ao mundo.
Ainda assim, vez em quando me camuflo de invisível, mergulho cobertores, afundo em piscinas, cortinas encerro. Fones de ouvido nem sempre funcionam.
Gosto de me ausentar da exigência de existir, desafiante destino que desatino.
E vez em vez existir também é irresistível.
Existo, as vezes assisto.
Percebo. E mesmo parecendo tão amplo o que posso potencialmente ser, costumo ser eu mesmo. Ciclicamente.
Biciclicamente, vôo. Voar é como ser invisível, prestes a cair em si mesmo.
Desaparecer do espelho pode transformar-te meio ambiente. Desintegrar-se pode integrar-te. Permitir-se parar de ser e parecer, reconhecer-te êxtase vestido de silêncio.
Deslocar-se da ansiedade de viver e viver.
Desligar, religar.
Religião sem ismo.
Quando em vez.
Já.
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*
Poesia e fotografia de capa por: Helder Dantas de Santana cedidos ao Sem território.
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