Falar da Pri é abrir um sorriso instantâneo no rosto. É se contagiar com a lembrança de sua risada que se escuta lá de longe. Porque Pri é do tipo de gente que nos conquista com o tamanho do sorriso. Ela não ri… ela solta gargalhadas enquanto o olho brilha. E isso foi amor a primeira vista. Ela e sua magrela ocupam a cidade, a estrada e o mundo e por onde ela passa é festa. Força, garra, aprendizagem, sensibilidade, simplicidade, coragem e um coração gigante… essas são algumas palavras que me vem quando penso nela. Sua proposta de trabalho é linda, afinal, quanta magia há na estrada… ainda mais quando se pedala nela. Amante da arte, escorpiana, amiga de Samantha, sua gatinha rajada linda… Por que ela nos inspira? Olha esse sorriso e essa paixão pela vida que você vai entender do que eu tô falando…

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S.T. – Quem é Priscila? Fale um pouquinho sobre você e o que você faz em seu dia-a-dia…

P.M. – Sou curitibana porém meu sangue é baiano. No momento do meu nascimento os escorpiões faziam orgia no céu, tenho o sol em escorpião, lua nova em escorpião, vênus em escorpião e meio céu em escorpião. Intensa. Persistente. Ousada.

Amo a vida. Amo a natureza, o mar, o mato, as cachoeiras, as montanhas, ventanias e trovões. Amo viajar, a pé, de carona, de avião e de bicicleta! A bicicleta é meu meio de transporte. O budismo é minha religião. E o turismo a minha profissão.

S.T. – O que é ter o budismo guiando seus princípios? O que te levou ao encontro desta tradição? Você tem rituais diários? Como eles são?

P.M.- O budismo que sigo é o de Nitiren Daishonin, tive contato com esta filosofia quando criança, aos 10 anos, através de minha mãe. Reencontrei o budismo aos 28 anos e, foi a partir daí que passei a praticá-lo. O budismo evidencia o potencial transformador do ser humano e é isto que me encanta nesta filosofia. O estado de buda (ou iluminação) existe dentro de cada um de nós. A iluminação não é mística nem transcendental como muitos supõem. Antes, é uma condição de máxima sabedoria, vitalidade e boa sorte, na qual o indivíduo pode moldar o seu próprio destino, encontrando plenitude nas atividades diárias. O ritual diário que me permite evidenciar ao máximo o meu potencial, se dá através da recitação do mantra: NAM-MYOHO-RENGUE-KYO. Recito-o diariamente e gosto de fazê-lo pela manhã, ao acordar e a noite. Além disto realizo também a leitura do sutra de lótus. (gongyo da manhã e da noite)

Costumo afirmar que o budismo não é só uma religião mas também um sistema ético, filosófico e transformador!

S.T. – A bike é seu meio de transporte… Como é essa experiência com a magrela em seu cotidiano e o que você aprende com isso a cada dia?

P.M.- Utilizo a bike como meio de transporte a 7 anos, a princípio a ideia era economizar mas com o tempo, a bicicleta foi além do dinheiro do VT (vale transporte). A rua tornou-se a sala de casa e eu estabeleci uma outra relação com a cidade, de respeito, cuidado e carinho.

A bicicleta tornou-se companheira e aliada e o deslocamento casa-trabalho-casa se estendeu, atualmente faço tudo de magrela; idas ao mercado, a feira, a casa da mãe, a bares, cafés, a casa de amigos, ao teatro, ao cinema e, como uma boa escorpiana e abusada que sou, passei a realizar viagens de bicicleta.

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S.T. – A Bike pode ser encarada como uma prática subserviva/ revolucionária ? Quais os benefícios em ter a bicicleta como um meio de transporte que vai além de um passeio turísco?

P.M.- Sim totalmente subversiva e revolucionária! É uma nova forma de movimento social, uma nova forma de agrupamento de pessoas. Chris Carlsson, o fundador da massa crítica afirma: ‘Nós temos que ter prazer em viver. E ver o prazer que temos em viver como parte da energia subversiva que precisamos para mudar a estrutura da vida.

S.T. – E a cidade que lugar é esse? A bike pode mudar a nossa relação com o meio? Qual a relação entre os ciclistas?

P.M. – Para a cidade, deixo meu recado, está na hora de frear o desenvolvimento cinza e frio da pressa e do individualismo. Que possamos iluminar a cidade com nossos sorrisos, preencher o espaço urbano com vida e movimento.

As pessoas de fato mudam a forma como vivem quando escolhem pedalar, a rua é ocupada  de outra forma, se adquire um outro ritmo de vida, uma outra relação com a geografia urbana, e elas passam a se conectar mais com outros seres humanos, especialmente os ciclistas. No decorrer de minhas pedaladas conheci muito ciclistas do Brasil e do exterior e que privilégio! É muito, muito TESÃO de viver e muito, muito brilho no olhar!

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S.T. – Que dicas importantes você daria àqueles que estão interessados em começar a experimentar a magrela como meio de transporte? Quais os direitos e obrigações do ciclista? E que dicas você daria aos motoristas de outros veículos?

P.M.- Comece devagar mas comece! Tente! Vá em frente! Se informe, leia o que o código de trânsito diz sobre bicicletas e ciclistas para que você tenha consciência dos seus direitos e deveres e sinta-se seguro para prosseguir.

E a dica principal e PARA TODOS: os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres.

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S.T. – Como é ser mulher no trânsito? Quais as maiores dificuldades e que cuidados podemos ter?

P.M. – Pedalar no trânsito é desafio e eu acho isto sensacional! Acredito que as dificuldades sejam as mesmas para homens e mulheres, é uma fechada aqui, um xingamento acolá, alguns motoristas ainda acreditam que a rua é única e exclusivamente deles. Mas o que mais pega e me deixa puta é o desrespeito, o machismo, as cantadas escrotas, as palavras chulas. Patriarcado e machismo são doenças que precisam ser erradicadas da sociedade.

S.T. – Fala pra gente sobre a proposta do seu trabalho… Como é o seu trabalho com turismo? O que mais te estimula  e quais as maiores dificuldades deste trabalho? O que o turismo pode fazer pelo mundo?

P.M.- Atuo na área de turismo desde 1999. Porém em fevereiro de 2014 e, durante o III Fórum Mundial da Bicicleta realizado em Curitiba, após assistir a uma palestra do Chris Carlsson, eu decidi que iria abrir a minha agência e me especializar em eventos, produções culturais e ciclo turismo e assim o fiz.

Atualmente sou proprietária da ‘P1 Turismo Art & Bike’. A possibilidade de poder criar roteiros, o trabalho de pesquisa, o cuidado com cada passageiro meu, isto muito me estimula. O turismo elimina barreiras e preconceitos e aprimora o indivíduo.

S.T. – O que significa viajar pra você? E viajar de bicicleta? 

P.M. – Viajar para mim é auto-realização. E viajar de bicicleta é um verdadeiro encontro consigo, do ponto de saída até o ponto de chegada, uma revolução interna acontece, a cada pedalada um aprendizado.

O ato de viajar está mudando. Cada vez mais viajar significa participar de experiências de vida enriquecedoras e retornar para casa transformado.

S.T. – E a humanidade… que bicho é esse?

P.M. – Eu sigo insistindo na humanidade. No amor incondicional, na potência de um sorriso, no abraço que vence canhões. O mundo é movimento e nós estamos tentando descobrir quem somos. Acredito que, o máximo que podemos aspirar é ficarmos na alma dos seres com os quais tivemos contato, nos nutrimos e sentimos esta troca, esse maravilhoso ato de generosidade recíproca, de nos amarmos, nos tocarmos, dizermos que nos amamos, nos cuidarmos, nos protegermos e nos darmos alegria.

S.T. –  O que é arte pra você? Qual a sua relação com ela?

P.M. – A arte para mim é manifestação divina! É a missão mais sublime do homem. Eu amo arte.

S.T. – Qual a sua relação com a morte?

P.M. – A morte me mostra sobre a brevidade da vida, de quão pequenos somos nós, ela me fala da importância de bem viver e de como o amor e o perdão são essenciais.

S.T. – Amor, solidão, silêncio, liberdade e medo… como você lida com essas cinco palavras?

P.M. – Amor é tudo! Solidão é necessária e libertadora! Silêncio é fundamental! Liberdade é essencial! Medo é sabotador!

S.T. – Quais suas maiores inspirações?

P.M. – O diálogo interno,  a reflexão, a meditação, a investigação de mim mesma, enfrentar meus próprios medos inclusive minhas certezas, a vida em suas variadas formas e possibilidades.

S.T. – O que você faz em seu dia-a-dia que te torna uma pessoa cada vez melhor?

P.M. – Tento viver o hoje, no hoje e para o hoje, consciente dos meus pensamentos, palavras e ações.

S.T. – O  que você faz em seu dia-a-dia que torna o mundo um lugar melhor?

P.M. – Cuido das plantas, reciclo o lixo e não desperdiço água.

S.T. – Você teria algum projeto, pessoa ou ideia que gostaria de ser visto divulgado por nós? Por quê?

P.M. – Sim, Val Brito, instrutora de Yoga e umbandista.

P1 Turismo "Art & Bike"

Para acompanhar o trabalho da Priscila, agendar uma viagem e entrar em contato com ela, você pode visitar o seu  Facebook pessoal e Facebook do seu projeto com turismo.

Instagram: PRIMARIS2

 

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Priscila Maris por Sem território.

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