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Quando estava fazendo minha monografia em psicologia, escolhi o tema “fotografia, cartografia e corpo contemporâneo”. A ideia era mostrar junto a um ensaio fotográfico, nuances, dobras e movimentos do nosso corpo nú de forma que não conseguíssemos entender primeiramente que parte era aquela. Uma proposta de desconstruir e de mostrar que nosso próprio corpo é o objeto que mais desconhecemos.

Durante a pesquisa, falei sobre vários fotógrafos, sobre a construção do corpo na contemporaneidade, nudez e sobre a importância do treino do olhar dentro da psicologia para que fosse possível esse reconhecimento, essa mudança de perspectiva diante do que parece tão óbvio: nós mesmos. Até que um dia, para entender melhor o “olhar e ver”, minha orientadora, muito sábia, me disse: “Fique cega pra encontrar o que procura, menina…”. Foi aí que conheci o fotógrafo cego Evgen Bavcar… E como de costume, levei ao pé da letra e passei alguns dias tentando fazer o que podia de olhos fechados e inspirada nele, tentei ver com o corpo todo… No terceiro dia de “treino” pude ver meu corpo com os outros sentidos tão adormecidos pela visão viciada dos olhos. E entendi que com os olhos abertos e desatentos, me fiz cega várias e várias vezes e deixei de enxergar o óbvio. Para enxergar o que eu queria encontrar, precisei fechar os olhos… e assim pude ver.

Tempos depois, a vida me colocou num caminho onde precisei fechar os olhos novamente. Estava eu entrando pro mundo do autoconhecimento através do yoga e foi aí que conheci o poder da meditação. Participei de retiros de yoga, vipassana e palestras diversas e novamente, porém em uma outra perspectiva, que usa palavras diferentes para falar do mesmo, me vi ampliando meu olhar e vendo “além” de olhos fechados.

Entendi que quando fecho os olhos não deixo de olhar o que está fora para olhar o que está dentro. Porque não existe o dentro. Existe a pele sendo o que há de mais profundo como ponte que liga tudo a mim. Eu e o mundo como sendo simplesmente o mesmo. E assim pude entender que se cuido de mim, cuido do mundo. Se cuido do mundo, cuido de mim…

E hoje encontrei esse vídeo lindo da Monja Coen falando sobre a importância de se ampliar o olhar dentro do zem budismo, usando uma linguagem simples e trazendo o exemplo da fotografia como treino do olhar…

Espero que gostem…

 

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