Nossa conversa de hoje é com a Cris. Pessoa de sorriso largo, voz doce e presença forte. Envolvida com vários trabalhos e um jeitinho bem vasto de levar a vida. Ela gosta de experimentações e invenções coloridas com sabores e cheiros especiais. A cozinha é o seu ateliê e é junto a ela que a Cris promove cursos e oficinas especiais pra quem quer saber mais sobre as delícias da vida saudável. Faz um bobó de castanhas de caju que é dos deuses e tem a língua afiada e um olhar apurado sobre o tema alimentação e comportamento “dentro e fora da cozinha”. Se preocupar com todo o ciclo e trazer sugestões simples e que fazem toda a diferença no dia-a-dia de quem se preocupa com o mundo… é um dos motivos do porque ela tanto nos inspira. 

*

S.T. – Conta pra gente quem é a Maria Cristina? O que ela gosta de fazer no seu dia-a-dia?

M.C. – Sou uma pessoa simples, mas muito criativa e por isso não gosto de fazer as coisas iguais por muito tempo… Sendo assim, já trabalhei em muitas áreas diferentes: já fui tatuadora, artista gráfica e diagramadora, profissional de educação física e culinarista que é o que estou me dedicando totalmente agora. A cozinha é minha meditação e minha doação. É onde coloco o melhor de mim apenas para agradar as pessoas e fazê-las sentirem-se bem, já que tudo que preparo é muito natural e saudável.

S.T. – Quem é a Cris fora da cozinha?

M.C. – Em ordem de prioridade, sou a mãe. Este é o melhor título que tenho. Mas vivo como atleta desde criança em competições de ginástica, atletismo e natação. E agora venho desacelerando e me encontrando no yoga. Tenho cultivado meu quintal e me encanta o germinar, crescer e dar frutos!

maria-cristina

 S.T. – Você acredita que a mudança de hábitos alimentícios, presando a saúde do corpo junto a saúde do mundo, é uma revolução política?

M.C. – Esta é a atitude mais consciente que alguém pode ter. É, antes de tudo, uma revolução cultural! Fala-se muito em sustentabilidade mas atitudes pequenas, que só depende de nossa vontade e que são simples e diárias, não são incentivadas… Claro, devido ao interesse e poder de empresas controladoras da mídia. Em minhas oficinas atinjo poucas pessoas, mas tenho sempre levado esta consciência.

 S.T. – O que é ser saudável pra você?

M.C. – É viver de forma harmoniosa com a natureza e com os seres ao seu redor. Não dá para ter uma regra: isso é saudável e isso não é. Mas dá para pensar num ideal. Alimentação global (incluindo a água que bebemos, o que vemos, lemos, ouvimos, como respiramos…) de qualidade, somado a atividades físicas moderadas e prazerosas, contato com a natureza, momentos de lazer, descontração, espiritualidade e relações afetuosas.

 S.T. – Como são os cursos que você propõe?

M.C. – Sinto que passar um pouco do que aprendi durante a minha caminhada é uma missão. Ensino com amor e cobro apenas para cobrir os gastos. São no formato de cursos ou de oficinas quanto os participantes põe a mão na massa. Todas as receitas são veganas e os temas são:

– Cozinhando com produtos da estação (em 6 módulos) – Utilizando ingredientes conforme a estação do ano, respeitando a Mãe Natureza.

– AIA – Aproveitamento Integral dos Alimentos – Noções de economia doméstica e de valor nutricional com a utilização de todas as partes do alimento. Nada de receitas de cascas com açúcar!!

– Deleites (em 3 módulos) – Oficinas de leites, queijos e manteigas vegetais.

– Guloseimas saudáveis – Como preparar sobremesas, festinhas, lancheira de uma forma mais saudável.

– Transição para vegetarianismo – Cardápios equilibrados e receitas fáceis, rápidas, saborosas para serem feitas no dia-a-dia.

– Ceias de fim de ano vegana – momento de apresentar o grande impacto no abate de porcos e perus e consumo desenfreado de leite condensado.

 S.T. – Porque pensar a alimentação é tão importante?

M.C. – Hoje é bem aceito o fato de a alimentação determinar o estado de saúde do indivíduo. Portanto, se alguém escolhe comer qualquer coisa está escolhendo automaticamente ter doenças! Só isso bastaria para ser tão importante pensar na hora de se alimentar, mas veja que duas pessoas doentes se unem e resolvem ter filhos…Veja que defender os animais e comer carne não é coerente… Tão pouco ser ambientalista e consumir produtos animais… Ficam as reticências para reflexão.

 S.T. – Você ganhou um prêmio com uma receita e escreveu o livro “Cozinhando com produtos da estação”, você pensa em fazer outro livro?

M.C. – Foi a realização de um sonho! Participei de um concurso de receitas cujo primeiro prêmio era um curso de um mês na França com todas despesas pagas. E uma receita simples, de aproveitamento integral dos alimentos, vegetariana, foi reconhecida como a melhor (Abóbora ao quinoto de manga). Isso me move para continuar meu trabalho, com simplicidade e alegria e tenho o projeto (praticamente pronto!) de um novo livro de receitas que eu chamo de inclusivas, pois vem de encontro às necessidades de quem faz dieta restritiva: celíacos, intolerantes a lactose, vegetarianos, veganos, diabéticos, etc, para que tenham opções saborosas, para que restaurantes, hotéis, padarias e lanchonetes passem a oferecer opção saudável. Falta conseguir patrocínio e apoio financeiro para a edição.

ABOBORA AO QUINOTO DE MANGA (5)

S.T. – O que te fez decidir tornar-se vegana? O que é o veganismo pra você?

M.C. – Vinha vegetariando a vida toda, mas não tinha mesmo consciência da importância do veganismo. Depois de meio século assim, tive a oportunidade de assistir uma palestra da filósofa Sonia T. Felipe, autora do “Galactolatria – mau deleite” e também comprei o livro. Só digo que é impossível alguém ler este livro e não mudar! Acreditava que eu era saudável porque não tinha experimentado essa sensação antes! Hoje estou livre de algumas ITES  (rinite, sinusite, dermatite e até tendinite) e consigo preparar todo tipo de delícia sem nenhum produto derivado de animal. Minha consciência ampliou para o consumo de suplementos, cosméticos, de roupas, enfim, é uma revolução abolicionista (tanto para o animal como para nós mesmos).

 S.T. – Pra você, qual a relação entre Veganismo e diminuição de impactos no mundo?

M.C. – Praticar o veganismo, diminui em muito os impactos:  crise hídrica, terras improdutivas, poluição dos lençóis freáticos, buraco na camada de ozônio, fome em grande parte do mundo, doenças degenerativas e outros

Mas um conjunto mais amplo de atitudes simples faz a diferença. Veja que a grande multidão ainda está:

– comendo o que vem dentro de um monte de embalagem – aumentando o lixo

– comprando alimentos envenenados e desperdiçando – lucro para supermercados, aumento do lixo e esgotamento do solo

– consumindo todo tipo de cancerígenos – dando lucro a indústria da doença

– comendo carnes e todo tipo de produtos de origem animal de forma exagerada – fome no mundo e todo tipo de impacto ambiental

– usando utensílios errados: panela de alumínio, micro-ondas, freezer, etc. – poluição e doenças

E esses são alguns exemplos de atitudes restritas apenas a cozinha!!          

frozem de arroz e morango                 

 S.T. – Você acha que as pessoas estão tendo mais consciência sobre a importância de se alimentar de forma mais saudável?

M.C. – Sim. Vem aumentando a cada dia as pessoas interessadas num modo de vida mais saudável. Cada um com seus princípios e motivos, mas abrindo a consciência!

 S.T. – Qual o prato você mais gosta de fazer? E de comer?

M.C. – Gosto muito do nhoque de arroz integral com molho de abóbora e “queijo ralado” de castanhas, Acompanhado de uma salada de brotos,  folhas e alguma fruta. Foi uma das minhas primeiras criações e continua agradando a todos os gostos!

nhoque arroz integral molho abobora e queijo de castanahas

 S.T. – Quem são suas maiores inspirações?

M.C. – Jesus é minha inspiração e Maria, sua mãe, minha fonte de coragem e de amor. Algumas pessoas da área de alimentação que admiro o trabalho e de quem venho aprendendo muito: Flavio Passos, Conceição Trucom, Sonia Hirsch, Natalia Chede, Dr. Alberto Peribanez Gonzalez e outros!!

 S.T. – O que você faz no seu dia-a-dia que te faz uma pessoa melhor?

M.C. – Meditação tem me tornado uma pessoa melhor, e o mais difícil que é o exercício do amor incondicional.

S.T. – O que você faz para tornar o mundo um lugar melhor?

M.C. – Faço apenas a minha parte, sem grandes ações: compostagem, pequena horta, separação do lixo, economia de água, educação no trânsito e respeito às diferenças. Faço também trabalho voluntário de reeducação alimentar e ambiental. É só me chamar!

 S.T. – Que projetos, pessoas ou ideias você gostaria de ver sendo divulgado por nós? Por quê?

M.C. – A Mutirõ Sociedade Cooperativa com seus diversos projetos, incluindo O Redes de Comercialização que aproxima produtor orgânico e consumidor.

 

delicias da vida saudavel

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Para comprar o livro Cozinhando com produtos da estação:

https://www.facebook.com/CozinhandocomProdutosdaEstacao/?fref=ts

http://www.naturezazen.com.br/produto.php?cod_produto=4466519

Para acompanhar trabalho da Cris na internet:

https://www.facebook.com/DeliciasDAVIDA.Saudavel/?fref=ts

http://deliciasdavidasaudavel.com.br/

Para participar e promover seus cursos, entre em contato atrevés destes links:

http://deliciasdavidasaudavel.com.br/cursos.html

https://www.facebook.com/maria.c.faria.7

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Maria Cristina por Sem território.

 

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4 comentários sobre “Entrevista com Maria Cristina – Delícias da vida saudável

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