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Dona Maria, 66 anos de idade e de vida bem vivida em cada gesto cansado e em cada sorriso. Rugas em todo corpo, negro, pintado de cores, de poeiras, de cabelos disfarçados com suas raízes brancas crescendo… sentada na calçada, chupando um pirulito rosa, na espera do neto que não volta pra conseguir ir embora daqui que não é o seu lugar… ela gosta mesmo é da sua terra Juazeiro do Norte, onde ela encontra na fartura de coisas que come de graça, plantadas na sua roça onde deixou dois maridos, a simplicidade do que é viver…

O primeiro marido saiu e não voltou mais. O segundo, ela conta que morreu porque de manhã comeu “quaiada” e a noite se atreveu com cachaça. Agora sem ele, ela diz que não tem muito quase nada… agora, ela não está mais assim tão boa de vida. Diz que se tivesse pai e mãe tava era lá com eles em casa. Porque lá ela tem três casas, e daqui ela não gosta porque até água ela tem que pagar pra ter:

– “Até água, né minha fia?”.

..Falando dos contratempos do tempo e da sujeira do mar, ela abraça um sorriso ante uma gargalhada quando surpreendida por uma pergunta tão clichê quanto chupar um pirulito na sombra da árvore de uma praça:

– “E da vida, Dona Maria, a senhora acha o quê?

– “Da vida minha fia?

HaHaHaHaHaHaHaHaHahahahahah

… da vida…

eu só acho graça!”

 

(Alcobaça, Ba, Brasil, 1º de Janeiro de 2006)

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