Hoje vamos conversar um pouquinho com uma de nossas parcerias e inspirações. Laís, com tanta cor no olhar, com tanto amor em cada clique, com tanto mar em cada trabalho. Ela nos inspira por exalar sensibilidade em sua história e em sua forma de inventar a vida. “Tanto mar” foca o registro da relação, acalanto, família, amor. Foca a expressão do momento rodeado de espontaneidade e por isso admiramos tanto esse trabalho que nos surpreende a cada registro e dá brilho à nosso olhar.

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S.T.: Fale um pouquinho sobre você… Quem é Lais? O que você gosta de fazer no seu dia-a-dia?

L.G: Laís é uma mulher, mãe, irmã mais nova que parece a mais velha. Tem dificuldade pra se adaptar, mas nem por isso deixa de mudar. Calada, prefere falar por palavra escrita. Aprendeu muito com a maternidade e mesmo que ache bem difícil ser mãe, acredita que as coisas podem ser mais simples do que a gente imagina.

Meus dias são regados a rotina, filho, fotos, preguiça, barulho de mar.

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S.T.: O que é a fotografia pra você?

L.G: Fotografia pra mim é dia-a-dia. É poder congelar situações simples e é a simplicidade que me encanta. Fotografia pra mim é se dar conta da vida e tempo passando. É memória, é amor guardado em forma de imagem.

S.T.: Quais suas maiores inspirações?

L.G.: Minha inspiração maior é o meu filho. Me inspira a fotografar, a ter coragem pra mudar. O Luca me faz olhar com olhos de novidade tudo aquilo que ja estamos cansados de ver.

 

S.T.: Quem são suas inspirações na fotografia?

L.G.: Gosto muito da Vivian Maier, do Araquem Alcântara. Também adoro as crianças fotografadas no verão pela Izabela Urbaniak. Acho o Sebastião Salgado impressionante, pela fotografia e pela relação dele com o que ele já fotografou, vê-lo falando sobre os projetos e como ele chegou no Gênesis é lindo.

S.T.: Como a fotografia surgiu em sua vida? Quando você decidiu fazer dela o seu trabalho?

L.G.: Comecei a gostar de fotografar na faculdade de arquitetura e nessa época eu fotografava cidade, cenário, paisagem construída. Depois em São Paulo ainda fotografei um pouco durante a pós de paisagismo, depois parei completamente. Quando meu filho já tinha 1 ano e pouco eu comecei a fotografar ele, pelo celular mesmo. Comecei a sentir necessidade de fazer isso de um jeito melhor, comprei uma câmera. O Luca me fez lembrar do gosto da fotografia e dessa vez descobri o retrato. Passei a gostar de fotografar gente, especialmente a espontaneidade infantil. Coincidiu dessa fase eu estar insatisfeita com o padrão de trabalho que eu levava, o meio corporativo não é pra mim. Eu que não me via fazendo outra coisa, achava que não sabia fazer mais nada… Comecei a pensar que seria massa registrar momentos de outras crianças, famílias, histórias diferentes da minha. Sim, isso poderia ser um trabalho!

S.T.: Qual a maior diferença entre fotografar arquitetura e fazer retratos?

L.G.: Fotografar pessoas é captar a emoção delas naquele momento. Mesmo um retrato simples, é uma pessoa que está ali, tem o olhar, a expressão dela. Pra mim a fotografia de arquitetura se tornou fria, pode ser bonita, mas é fria.

S.T.: O que você mais gosta no seu trabalho? Quais as maiores dificuldades?

L.G.: Esses dias fiz uma foto de uma família muito querida, um casal de amigos e sua filha que nasceu recentemente. Quando o pai recebeu o arquivo, me disse que ver aquela fotografia tinha sido a melhor coisa que tinha acontecido no dia dele. Isso é o que o que eu mais gosto do meu trabalho.

As maiores dificuldades, vejo como desafios, são controlar a ansiedade, lidar com o novo fluxo de dinheiro que não é estável como antes, aprender a se reinventar constantemente.

S.T.: Por que o nome Tanto Mar?

L.G.: A decisão de mudar de profissão estava atrelada a mudança de vida. Significou mudança de cidade, de ritmo e principalmente de prioridades. Voltaríamos para o mar e eu me sentia indo contra a maré. A maré da previsibilidade, da estabilidade. O mar sempre significou pra mim a diferença de tamanho do homem e da natureza, ver aquele infinito de agua sempre me faz lembrar o quão pequeno nós somos, me coloca no meu devido lugar. Isso tudo estava envolvido e me lembrei do nome da música de Chico Buarque, Tanto Mar, estava decidido, sintetizado.

 

S.T.: Fale sobre o Projeto No Colo. Qual seu objetivo? O que tem aprendido com ele? Como é a experiência de interagir com a cidade através dessa intervenção? Como você acha que este projeto muda a vida das pessoas que estão participando? E das que interagem com ele depois de colado nos locais onde a fotografia aconteceu?

L.G.: Projeto No Colo vem de uma inquietação minha em relação a grandes centros urbanos, onde as pessoas estão sempre correndo, onde parar pra ver alguma coisa ou falar com alguém significa perder tempo e atrapalhar o fluxo. Os lugares se tornam corredores de pressa, fluxo de gente ligadas no automático. O amamentar seria uma contradição, seria um grito, um ponteiro parado do relógio, um gesto pleno de amor, um pedido por mais encontros, trocas. Pra muitos, amamentar em público ainda é tabu, a sexualização do seio da mulher invertendo valores. Pra mim e paras as mulheres que participam do projeto, amamentar é se entregar e amar. Amamentar é semear e as cidades estão carentes disso.

Não sei ainda como as fotografias coladas atingem, se atingem, as pessoas na rua. Mas a ideia é que aquelas imagens coladas mude um pouco o olhar da pessoa em relação ao lugar muitas vezes vistos com olhos cansados e que o gesto de amamentar se torne maior do que qualquer edifício visto em segundo plano na fotografia.

S.T.: O que você faz em seu dia-a-dia que te torna uma pessoa melhor?

L.G.: Acho que ter saído do meu antigo trabalho me fez uma pessoa melhor, mudou minha relação com dinheiro e consumo, mudou minha relação com o tempo e me tornou menos superficial. Isso afeta diretamente no meu dia-a-dia agora. Compro menos, penso mais, desperdiço menos, crio mais.

S.T.: Você gosta de ser fotografada?

L.G.: Não. Até arrisco fazer autoretrato de vez em quando, mas ser fotografada por outra pessoa não gosto, fico desconfortável.

S.T.: O que é a arte pra você?

L.G.: É a manifestação de um sentimento ou de uma inquietação. Arte pra mim é um respiro, uma tentativa de passar uma mensagem sem usar necessariamente as palavras… Acho que é isso, difícil definir essas coisas.

 

S.T.: O que você faz para tornar o mundo um lugar melhor? 

L.G.: Consumir menos e mais conscientemente acho que é uma contribuição massa. Mas não faço nada pretensiosamente não, acho que o que eu faço é muito pequeno na verdade.

S.T.: Você indicaria alguém ou teria algum projeto que gostaria de ver sendo divulgado por nós?

L.G.: Indico Pedro Bomba, quanto mais pessoas ouvirem/lerem ele, melhor. O amigo-amor e filósofo André Souza. Tem o artista Vital Lordelo que eu não conheço pessoalmente, mas adoraria saber mais sobre, ele leva palavras de afeto pras ruas, com ou sem desenhos, acho muito bonito. E a Ive Seixas, cantora e compositora, daquelas pessoas que te ensinam despretensiosamente. Vale a pena saber mais sobre os projetos andorinha voa e viajeiros.

TANTO MAR FOTOGRAFIA

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* Para acompanhar seu trabalho no site do TANTO MAR, saber mais informações e orçamentos, clique aqui

** Para saber mais sobre o PROJETO NO COLO, clique aqui

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. Laís Gouvêa por Sem território .

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